quinta-feira, 21 de outubro de 2010

diário3 ─ capítulo 01

Bom dia, senhor Ramos. Hoje é o começo do terceiro diário. Este terá 31 capítulos. Não tenho muito o que falar por agora, mas tô muito esntusiasmado pra dizer alguma coisa. Por enquanto é até mais tarde.

I see you later. Are you Ok?

parte 02 ─ de noite


Boa noite, sr Ramos. Eu tinha algo pra te falar. Mas não lembro bem o que era. Só sei que a ver com a mudança dos meus gostos atuais. Uma das coisas tem a ver com a minha aparência. Senhor Ramos, eu não me vejo mais no espelho. Há alguém, qualquer pessoa, menos eu. Não estou mais andando comigo mesmo. No espelho? Tem um homem, jovem mais ou menos bonito pra mim, olhos castanhos claros, distante, forte, magro, corpo no lugar. Não vejo o garoto, ou a crinça que eu sou, ou era, sei lá.

Senhor Ramos, não estou mais pensando tanta besteira quanto antes. Estou mais deprimido, mas não consigo mais chorar. E nem sinto mais a necessidade. Sr Alberto me faz parar de pensar o tempo todo. Ele diz que ajuda a evitar ficar deprimido. Ajuda mesmo. Fico um bom tempo mais ou menos feliz. No mínimo eufórico. E isto me dá um bom tempo antes de cair na depressão solitária. No banheiro, levei um bom tempo pra me recuperar. Entrei e só sai quando achei já bastava.

Fiquei um bom tempo acocorado no chão do banheiro antes de conseguir abrir o chuveiro. Precisei e fiz. Sem pensar, sem chorar, sem imaginar o que poderia ter feito ou estar fazendo. Nada demais. Não sei mais o que fazer quanto a isto. Neste momento estou ouvindo a minha coleçãode músicas depressivas. Desabafo? Não, não tenho nenhum a fazer. Só quero pedir uma ajuda, de custo é claro. Tô cansado de pedir dinheiro. Vou começar a mendigar na rua pra pagar minhas contas. Olha, meu pai está cada vez mais insuportável do era. Não consigo mais conviver sem sentir um pequeno... tá um grande desprezo por ele. E se não funcionar, vendo meu corpo e depois vejo uma forma mais garantida e menos perigosa de ganhar dinheiro. Eu sei, senhor Ramos, sei que já falei muitas vezes disto. Não da forma que falo agora, mas falei.

Quero ter uma vida minha, que seja fácil, mas como não existe. Vou do jeito difícil. Não sei por onde começar. Chega disto, senhor Ramos, esta informação agora é confidencial. Ninguém precisa saber da minha inexperiência, a não ser que pague pra tê-la.

Eu fiquei mais leviano? Senhor Ramos, quantas vezes eu tive que fazer coisas que simplesmente alguém poderia ter feito por mim? Tive que largarcoisas importantes pra fazer coisas sem importância alguma. Se eu pudesserealmente, senhor Ramos, hoje eu teria todos os carros dos sonhos, cada um com sua própria motorista (confio mais em mulher dirigindo). Teria a casa dos meus sonhos nos Alpes Suiços. Teria meu helicóptero próprio para andar em Salvador. Teria todos os meus desejos mais íntimos (é, senhor Ramos, incluindo aqueles de que tanto falei e ainda falo mesmo que sem nenhuma frequencia). Teria a beleza que todos invejariam. Mudaria de sexo, ou não. Mas com certeza completa e total, mudaria de nome. Me chamaria qualquer coisa, até de Mag, como era meu desejo inicial. Ou Emanuel Felipe.

A bientôt, monsieur Ramos.

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