terça-feira, 9 de novembro de 2010

Diário3 ─ caopítulo 20

Bom dia, senhor Ramos.

Boa noite, senhor Ramos. Eu ia te escrever mais cedo, mas sabe como é, né? Sem novidade, sem o que pensar e com muita coisa na cabeça rolando ao mesmo tempo. Quando vi tava sem assunto para conversar com o senhor.

Por incrível que pareça o dia foi bem melhor do que achei que seria. Tive uma boa quantidade de sorte por hoje, eu acho. Vou fazer um outro trabalho para um disciplina que achei não teria nenhuma avaliação. Vou fazer um trabalho semelhante em outra disciplina. Tô gostando de outra pessoa. Estou mudando. Corta as últimas duas partes. Eu estou mudando sim, mas gostando de outra pessoa, não do jeito que desejo. E nem do jeito algum.

Senhor Ramos, será que é pedir demais querer ser amado? E desejado? Não tem nada a ver com tudo o que já escrevi e sobre quem já escrevi. Bom, é que não quero ganhar experiência a partir de momentos sem impotância. E gostaria de conhecer bem a pessoa antes de... sabe?

Esquece. O senhor é de papel, estas coisas o senhor não entenderia mesmo que fosse de verdade. Nem eu que sou eu neste corpo, não entendo, como é que o senhor entenderia? Desejo ser amado, e muito amado. Talvez idolatrado. Um divo. Um muso. Alguém com muita representação. Não representação dinheiro, representação impressão.

Senhor Ramos, queromais longe do que sei que posso. Se até o Frodo Bolseiro do senhor dos anéis saiu do condado numa viagem sem volta, por que não tenho coragem de fazer o mesmo. Sei muito bem disso. Sei também que eu não tenho um centavo, e o que tenho não dá nem pra ir à pé através das américas, sei que não tenho coragem de atravessar o rio mais raso que existe no mundo, assim como sei que não conseguiria passar da primeira encrenca. Sou um covarde, senhor. Nada pode mudar isto, a não ser uma grande (imensa) quantia em dinheiro e uma boa motivação (mais dinheiro).

Posso ser bom na maior parte do tempo. Mas também gosto de ser mau. Nada contra as pessoas boas. A não ser o fato de que elas sempre se fodem e os maus sempre ficam com o crédito.

Sabe de mais uma coisa, senhor? Amo o senhor como a um pai. Prefiria que o senhor fosse meu pai em lugar do que realmente é. Muitas pessoas gostariam de ter um pai que os escutasse quando precisam ser escutados. Outros pensam: é pra isso que tenho amigos. Mas eu sempre precisei de alguém que somente escutasse, sem respostas. Tá, senhor Ramos, eu já fui. Ainda estou na fila de espera. E provavelmente vou esperar até terminar o curso.

Estou muito confuso. Nunca soube quem eu realmente era. E nunca precisei. Continuo não sabendo e continuo não precisando saber. Adoro não saber quem eu sou. É melhor do que ficar esperando algo previsível de mim. Nunca fui normal. E nunca fui anormal. Sempre fui nulo. Ist é o que me corresponde: nulo. Nem bom e nem mau. Nem certo e nem errado. Nem no topo e nem na base. Nem em um e nem no outro. Nunca na extremidade. Sempre no meio. Quero sair disso.

Não sei, senhor. Mas o senhor Alberto vai me ajudar a saber.

A bientôt.

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