terça-feira, 2 de novembro de 2010

diário3 ─ capítulo 13

Senhor Ramos, hoje eu queria algo diferente tanto pro meu diário quanto pra minha vida. Sei que tenho como fazer isso. Só não consigo me livrar das amarras da minha consciência.

Bonito, não? Amarras da minha consciência. Perece até poema. Um daquele s poemas patéticos de fundo de poço. Não estou no fundo do poço. Só tô pulando lá dentro com um pula-pula de longo alcance. Não fico o dia todo deprimido, só pela manhã. Todos os dias e no máximo até um pouco antes de chegar na sala de aula ou em algum outro lugar.

Senhor Ramos. Eu ainda vou sumir pelo mundo. Masnão antes de resolver alguns problemas que me perseguem. Sabe, não quero ir sem antes me convencer de que não há nada para mim aqui. Por que eu quero ir, ou por que eu quero me convencer de que não há mais nada aqui?

Por que vira e mexe, eu desejo sumir. E depois de algum tempo eu paro e penso em tudo o que tenho (nada na realidade). Aí fico divagando por toda a minhha vida, ou melhor, a parte da minha vida que persisteem minha memória e faço perguntas críticas dignas de gente avarenta e ou velha. Aí deseisto de ir.

E por que penso em tudo o que tenho (repetindo: nada) e vejo que não tenho nada aqui. Apenas coisas de que posso ter melhoras. Como um bom computador na versão sempre atualizada. Um dos todos os jogos Tekken, como o 6 ou o 5. E Me vejo sumindo pelo mundo pra conseguir tudo isto pra mim.

Depois de certo tempo de inexperiência eu me tornei experiente. Expert em inexperiências. Sei da maioria dos anseios dos virgens e tímidos num raio de alguns quilômetros. Conheço a diferença de alguém experimentado pra alguém inexperiente pelo modo de falar e pela quantidade de mentiras. Traduzindo: Quem não pega ninguém geralmente diz que pega todas (ou todos), quem nunca trepou na vida abusa de termos singulares referentes a tal coisa, e finge que é experimentado. Gente experimentada geralmente é discreta no modo de agir e falar. E se importa com a própria imagem passada. Gente inexperiente nunca percebe o que fala, a não ser depois que se arrepende.

Cabou de inexperiência. Continuo inexperiente, mas ninguém mais precisa saber disto. Acho que todo mundo que me conhece, e todo mundo que ouve falar sobre mim, e todos que ainda vão ouvir falar de mim, já sabem perfeitamente disto.

Penso em me tornar sacerdote ou budista, senhor Ramos. Não sei como fazer ou o que fazer. Só sei que estou à meio caminho. Bom, acho isso por que... por que sou o que acabei de dizer. Parece que não interesso à ninguém. Ou o que espero que aconteça faço errado e não acontece. Já parei de prever o futuro... pelas cartas. Ainda leio minha mão e vejo o que posso fazer pra melhorar o futuro nas cartas e nos sonhos. E sonho com o que preciso saber ou desejo fazer e não me é permitido.

Há segredos que guardo tão bem, senhor Ramos, mas tão bem que eu mesmo não sei quais são. É por isso que eu não respondo à este tipo de pergunta que o senhor acabou de fazer. Na realidade, ninguém mais faz. E é por isso que vou surpreender todo mundo quando concluir o Projeto Mag.

Tenho este projeto desde o inicio do meu exílio. Desde aquele momento que o senhor sabe qual é. Fiz um projeto baseado em planos e objetivos. Assim que concluo cada objetivo parto po próximo e e pro próximo. Atualmente, estou pronto para exterminar de vez o Mag que ainda reside em mim, mas preciso da ajuda de um homem que me ame. Não, não posso dizer por que. Meu objetivo é apenas fazer o mesmo que faço com meu cabelo, porém com o meu corpo.

Nãosabe? Vou contar. Meu cabelo cresce rápido. Toda vez que corto o cabelo deixo ele crescer bastante. Aí me apego à ele a ponto de cuidar dele e fazer carinho, encaracolar etc. Depois de me apegar ao cabelo eu corto. De uma vez só. Entende agora? Estou assumindo que eu teno um corpo masculino. Minhas formas não são atléticas e nem femininas, mas eu gosto. Adoro minhas mãos, acho-as bonitas e ágeis. Amo minhas pernas, mesmo sabendo que há uma cadeira de rodas em meu futuro. Adoro meus olhos, eles não são azuis e nem verdes. Apenas são bonitos e diferentes. Entre outras coisas. Preciso acabar com este fascínio narcisista para permitir que meu futuro aconteça. Ou que minhas visões e previsões sjam realidade.

Senhor Ramos, não há prazer sem dor. Eu já falei sobre isto. Pouco, mas falei. Não me faça escrever um discurso sobre o que é a dor sem o prazer e etc.

Je déjà vai, ma soer vois aller par ici. A bientôt, mosnieur Ramos. J'adore vous.

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