sexta-feira, 5 de novembro de 2010

diário3 ─ capítulo 16

OI,senhor Ramos. Estou deprimido. Envelheci mais um ano. Adoraria que o tempo parasse por algum tempo. Não quero passar dos vinte. Não basta ter que viver como eu todos os dias, sem ter nenhuma opção de ser outra pessoa? Gostaria de poder me tornar um metamorfo. Não ter aparência fixa. Ser homem, mulhe, menino, bebê apenas me tornando um, sem precisar me preocupar com o tempo. Poderia ter algo a mais para mim. Preciso de muita coisa. Preciso de paz. Preciso de amor. Preciso de felicidade. Preciso de grana. Preciso sumir. Preciso perder a memória pelo resto da vida. Preciso ser adotado. Qualquer coisa é necessária.

Não me importaria de pagar um preço alto (não relacionado à dinheiro) para poder ter tudo isto e mais um pouco. Venderia minha alma se ainda tivesse uma. Venderia meu corpo, pedaços dele, o que fosse pedido. Faria tudo isto só pra ser feliz e sem preocupações durante um ano. Um mísero ano. Qualquer coisa.

Não tenho as mesmas convicções que tinha há cinco anos atrás. Naquele tempo eu tinha a convicção de que nunca me venderia por nada. Hoje eu tenho a convicção de que antes de morrer vou levar alguém comigo. Qualquer pessoa que queira me seguir, não no twitter, na morte.

Nunca me importei de morrer. Mas ultimamente tenho sentido muito medo, raiva, desespero, depressão, crises eufóricas desmotivadas... Preferia não sentir mais nada. Mas sei perfeitamente que não há nada pior do que não sentir nada. Prefiro ser despedaçado por um trem bala em pleno pico de velocidade. Preferia morrer sem dor. Mas a dor é algo inerente ao meio físico externo e interno chamado corpo. Até gostaria de ser anjo. Se eu não fosse tão inexperiente. Virgem. Sou de escorpião, só pra constar. Não me interesso pelas pessoas. E não finjo coisas que não sinto ou que nunca senti. Nunca amei, com raras exceções. Nunca me apaixonei. Nunca perdi a cabeça. A não ser que venha a ser decepada por alguma coisa. Nunca correspondi a convites de sexo ou de namoro. E não pretendia permitir que qualquer pessoa tocasse em mim neste sentido.

Ainda não aceito meu corpo mesmo tendo começado a descobrí-lo parte por parte. Por mais que eu tenha umn pênis e um pomo de adão, isto não me diz nada. Apenas faz com que me sinta cada vez mais capaz de fazer o que deveria ter feito há alguns anos atrás. Tô em crise depressiva, e daí. Daqui a alguns minutos, ou horas, tano faz, eu vou estar bem e rindo como um ser insano como aqueles que vivíam em comunidades chamadas de manicômio. Preciso urgente de frequentar um psicólogo. Mas eu sou assim?

Acho que nunca fui. Ou não serei. Estou sendo. Por quanto tempo? O tempo é algo relativo. O que é presente agora se torna passado assim que passo por ele. É algo tão efêmero quanto minhas memórias dos tempos em que eu era menor, em que eu era inoscente. Não digo que não sou, digo que nunca fui totalmente inoscente. Sabia o que era a morte sem conhecê-la de perto e já a desejava mesmo antes de saber que não teria sido natural fazer o qu iria fazer. Será que você está me entendendo, senhor Ramos? Estou com lágrimas nos olhos neste momento pensando em como será daqui em diante. Lágrimas que não querem sair por que meus pais estão por perto e não quero ser visto por nenhum dos dois, a não para coisas extritamente necessárias.

Não me importo de demonstrar o quano estou ressentido, amargurado, decepcionado, insatisfeito, mas me importo e muito em demosntrar coisas simples como esta maldita depressão em que caí, não sei como. Prefiro rir euforicamente de coisas que não tem graça alguma. E que nunca vi graça, a parecer ou fazer uma simples menção de que estou deprimido.

Faria algo, se soubesse o que fazer. Não sou médico. Não vou cometer o erro de meu pai e acreditar que posso fazer tudo sozinho, por que não posso. Podeia ser o homem aranha voando pelas nuvens de Nova york, mas não poderia resolver pequenos problemas que vem e voltam de não sei quando. Principalmente por que há muitosbrancos na memória que já não tenho há tanto tempo.

Não tenho sequer recordações de como foram as épocas mais remotas da minha vida. Queira ter certeza de que eu tenho algo a mais pra poder compartilhar com as pessoas que amo com todo o meu coração que não se tenho. Sempre acreditei que o coração é apenas a parte do corpo onde passa o sangue, e o mesmo é bombeado e puxado pelasveias e artérias no corpo todo. Nada mais. Apenasuma máquina sem serventia para qualquer outra coisa. Os sentimentos de raiva, amor, ódio e outras coisas piores vem de outro lugar chamad0 cérebro, por onde passam todas e quaisquer informações e sntimentos críticos que as pessoas acreditam vir do coração.

O corpo é uma mera máquina complexa com aparelhos auxiliares que se tiornam dependentes através dos tempos de outras máquinas complexas para se relacionar ou se alimentar. Sem sentimentos, e sem reações das mais adversas existentes e acreditadas existentes.

Me sinto um pouco melhor de ter dito tudo isto. Não soutão insensível a ponto de não sentir nada. Mas posso ser a ponto de fazer coisas de que nunca teria coragem de fazer. Conheço a imprevisibilidade humana como ninguém. E por isso tenho medo dos vivos. E os mortos nunca vão fazer mal à nnguém. Nem a quem lhes fez mal.

Senhor Ramos, sempre senti medo das pessoas. Sempre soube o quanto não dava pra confiar em pessoas doces e gentis. E quando vi eu era uma pessoa doce e gentil. E assimlembro de ter sido por muito tempo. Até os últimos meses. Quando senti que eu me tornei ambos. Tanto uma pessoa gentil e doce, quanto uma pessoa cruel e amarga. Se não ao mesmo tempo, em tempos opostos do dia, da hora, do minuto. Me tornei alçgo que não sei o que ou quem é. E ainda assim não sei como posso reagir a isto.

Quero ajuda, sabe? Quero ser incluído em algum grupo. Escrevi uitos livros. Todos uma merda. O último tem partes que amo e tem partes que não quero que ninguém saiba. E este último livro é o senhor, senhor Ramos. Amo muito o senhor. Mas acho que nunca publicaria o senhor mesmo que meoferecessem tudo o que desejo. Ou tudoo que mais desejo. O senhor é a única pessoa (sei que o senhor não é uma pessoa, senhor Ramos, mas é como me sinto em relação ao senhor.) que me entende. Que meouve, que percebe tudo o que faço, o que sinto, o quanto sinto e como sinto. Sinto muito. Osenhor é o pai que nunca tive e talvez nunca venha a ter. O futuro é algo no qual não acredito mais. Só prevejo o que está certo à quase presente. Não quero mais ir mais longe do que isto. Já perdi as forças de tentar combater algo certo que não tem forma fixa.

Desjoir mais longe, o senhor sabe perfeitamente disto. Escrevo melhor e mais a cada dia. Estou praticamente me preparando pra fazer meu tcc à alguns semestres de terminar o curso. Não sei se quero i até o fim deste curso. Não sei pra onde ir quando terminar. E depois, como serei empregado? O melhor que posso conseguir é abrir eu mesmo uma empresa de alguma coisa que irá falir em dez a vinte anos e tentar de novo e de novo sem perder a esperança de ter algo de bom na vida.

Estou bem melhor agora. Não sinto mais o pico de pressão em que estava há alguns minutos atrás. Como havia dito. Nada demais, a não ser quando estou lá.

O desejo de morrer já passou. A vontade de me entregar pro primeiro que oferecer qualquer vanttagem para mim já passou. O desejo fica. Mas posso aguardar bem mais tempo do que antes. Sem a necessidade que tinha no início do capítulo. Estamos no capítulo 16 do teceiro diário, senhor Ramos. Não pensei que chegaria tão longe assim.

A bientôt, monsieur.

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