terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Diário4 ─ capítulo 16

Boa noite, senhor Ramos. Estou falando de um netbook emprestado pala faculdade. Que bom né? É uma maravilha. Pena que é pequeno e não dá pra usar todo o tempo. Lembrando, almocei no RU hoje. Eteve evento no projeto e no RU. Mais tarde eu te conto.

A bietôt.

Parte 02 ─ de noite

Boa noite, senhor Ramos. Hoje foi um dia meio confuso. Bom, foi confuso por que, eu dei aula particular à uma pessoa que não conhecia. E descobri algo que me poderia ter sido útil momentos antes. Deveria prestar mais atenção nas coisas e deixar de ser tão... eu.

O que eu posso fazer? Talvez matar e roubar. Talvez realizar todos os meus desejos mais íntimos. Incluindo aquele de que prefiro não mais me pronunciar. Não, não este, o da tortura. Referente ao meu pai. Infelizmente não dá mais para ser simpático com uma pessoa que usa e abusa de frases sem o mínimo de sutileza.

Infelizmente, ninguém escolhe a família em que vai nascer. Já que estou aqui, quero te falar sobre algo que gostaria de te contar há tempos, mais ainda não tive nem tempo e nem coragem de contar.

Quando eu era mais novo, e meu pai ainda era bem pior, e meus desejos de vingança eram inexploráveis por serem ineficazes, eu tinha um sonho. Não lembro muito bem, e também não é sobre ele que quero contar. Meu sonho era um dia descobrir que fui adotado. Na realidade, arrancado de minha família nativa, a família que realmente me amava e me tinha todo afeto e todo tipo de calor pudessem dispender.

Aícresci, e nada de descobrir que era filho de um homem extra rico, ou de uma mulher muito, mas muito rica, que viajava muito pelo mundo e não tinha tempo pra mim. Até meus sonhos acabarem e meus olhos se abrirem e eu desejar arrancar meus olhos para nunca mais ver o que acabei vendo pelo resto dos meus últimos anos enquanto Mag. Bom, eu nunca fui de todo ingênuo. Também nunca fui totalmente culpado e nem inocente. Mas de uma coisa eu sabia muito bem: se eu quisesse ser feliz, ou no mínimo ter alguma esperança na vida, ele (meu pai) teria que morrer do pior jeito que se pudesse pensar. Não me pergunte por que toda esta raiva, pergunte por que ele me fez desejar tão mal à ele.

Posso lhe dar mil motivos para não responder, e resumir em uma única palavra o que pode simbolizar todos os meus sentimentos por ele: desprezo. Este homem ridículo, ignorante, cavalo, entre outras coisas igualmente terríveis, ou piores, simplesmente me fez por algum tempo acreditar que eu nunca seria nada na vida. Como posso retribuir o favor? Infelizmente não posso revelar tudo à você, monsieur, mas posso dizer tudo o que pretendo fazer com ele assim que possa.

Sabe do meu fascínio quanto as armas, não sabe?
Tudo começou quando eu vi pela primeira vez algo sobre um curso preparatória para os concursos militares. Eu vi aquelas fardas, e nelas os meus maiores desejos refletidos. Sendo que o maior nunca alcancei e não pretendo destruir meu futuro enquanto alto-executivo por alguém tão sem importância quanto ele.

Perdoe se sou tão cruel com as palavras, monsieur, mas eu não posso simplesmente deixar de ser alguém que simplesmente se mostra para ser alguém que se esconde numa capa semelhante à de alguém que se mostra. Fiz isto por toda minha juventude, não que não esteja mais nela, mais que perdi todo meu exílio pensando em tudo o que aquela desgraça ambulante, uma das sete pragas jogadas no egito, me dizia.

Poderia simplesmente me recusar à falar sobre alguém tão degradante, mas não posso mais deixar que meus sentimentos se guardem à flor da pele como fazia há tanto tempo. Deveria ter fugido quando senti o desejo, deveria ter arancado a língua dele com um moedor de carne quando senti que deveria, deveria ter efeito dele pedaços de carne moída frita para ter certeza de que esta besta da qual vos falo seja definitivamente ceifada deste mundo tão glorioso e tão belo.

Sabia que passei a vangloriar aos assassinos por terem sucumbido aos seus sentimentos mais sórdidos? Bom, passei a tolerar homicidas por respeito aos seus atos desonrosos quanto à sociedade. É mais válido para uma criança morrer a ter suas esperanças destruídas. Mas como deixei minha infância de lado para ter uma vida miserável ao lado de um imbecíl que deveria morrer na fogueira exatamente como as bruxas durante a inquisição. Adoraria denunciar ele como bruxo. Teria adorado ver ele morrer comido pelas chamas. Sou um doce menino, por que descobri como ser assim. Por que se fosse pela besta que habita minha casa e que sempre vou ter que chamar de pai, por que não conheço nenhuma outra criatura do sexo masculino que me tenha amor paternal eu morreria sem saber o que é ser uma boa pessoa.

Precisaria me tornar um foragido para ser amado e respeitado, teria que matar por vingança ou por dinheiro para conseguir afeto. Teria que fazê-lo pagar por tudo. Qualquer desgraça pra ele é pouco. Ele merece ser frito em óleo quente, depois ser torturado na roda datortura, depois passado no ralador de queijo, e depois na fatiador de presunto, e depois passado no ácido sulf´rico. Mas entre cada um destes intervalos, ter suas ferias calterizadas por uma mistura de sal, vinagre e álcool. E um pouquinho de fogo por que ninguém é de ferro. O fogo ajudaria a calterizar e limpar as feridas durante a tortura. E teria bandas famosas ao vivo tocando enquanto ele gritasse ao máximo. Estouraria suas cordas vocais e sairia mais sangue, e cada movimento ou demonstração de dor faria que sofresse bem mais do que o que me fez desejar que ele sentisse.

Como todos sabem, a dor é maior do nosso lado. E pro que ele me fez, ele não merece só isso, como merece ser arrastado ainda vivo pela rua amarrado a um carro a toda velocidade, como se estivesse numa corrida.

Infelizmente, é isto que sinto, quando deveria sentir afeto, ou carinho pela figura paterna. E quase uma lágrima cai dos meus olhos neste momento. Assim como cairam durante o início do percurso de volta do meu buzu. Daria qualquer coisa pra ter minhas imaginações e meus olhos lacrados de volta. Não saber me daria toda a felicidade que eu tinha.

Tive um pico depressivo, nada demais. Senhor Ramos, quando que eu não estou deprimido. Realmente. Mas independente de quando ou como eu esteja, é sempre muito complicado estar com mais de uma carga emocional em um momento único.

E como já disse: se fosse apenas depressão, ou apenas euforia, ou apenas tédio. Mas não, tudo junta de uma vez só, e aí eu não aguento. Duas vezes neste mês já aconteceram. Não foi problema algum, apenas a junção de dois ou mais cargas emocionais juntas. E tenho tido crises mais frequentes. Senhor Ramos, eu já sei, não precisa me falar. Vou começar a procurar alguém pelo Planserv. Fui.

A bientôt.

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