quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dou saudações ao meu passado

um dia será meu pai! Com a graça de deus.
Olá, senhor Ramos. Não faz nem tanto tempo que conversamos desde a última vez. Queria relembrar um pouco da minha vida com você. Hoje, na volta para casa eu lembrei de algumas coisas que se passaram na minha curta vida.

Não, ainda não morri, mas pretendo. O senhor conhece perfeitamente bem os motivos. Mas não foi para isso que vim conversar com o senhor. Vim conversar com o senhor sobre o que havia lembrado.

Agora o senhor chegou na pergunta chave. O que eu lembrei? Lembrei que, quando era não tão grande, eu costumava pegar coisas do chão. Coisas quebradas que achava bonito. Pedaços de brinquedos. Eu achei isto interessante por que me lembrou, ou melhor me levou a pensar por que eu desejo tanto ser rico, ou dar o golpe do baú.

Esta é a outra pergunta chave. Tem a ver que eu pegava os pedaços de brinquedos para acreditar que eles haviam sido meus e eu os havia quebrado. Logo, meu desejo de sair desta vida não é recente. Isto também não foi, e nem por isso comemoro.

Entretanto, se eu já sabia o que queria para minha vida, por que não fiz nada? O senhor tem razão. De certo modo eu não poderia ter feito nada. Como é que o senhor sabe? Crianças não pensam nas consequências, exceto eu e mais uma porção enorme de semi-adultos criados como adultos. Sempre pensei nas consequências, mesmo que a nível de inconsciência. Não é por isso. É por que meu pai sempre me colocava pra baixo, pretendo fazer o mesmo com ele, porém com um pouco menos de piedade, ele nunca o teve para comigo, por que terei com ele? Isto não deveria estar aqui.

Enfim, estava refletindo durante o caminho sobre as possibilidades e as muitas respostas que posso tirar disto. Não, uma revolução inclui um líder e um monte de decerebrados sem autoraciocínio. Tá bom, onde arranjo alguém com um senso de justiça que atravesse os continentes e um grupo fácil de (como é que é o nome? coagir?) fazer uma reposição lógica a partir de palavras bonitas e um senso de liderança perpicaz?

Pensei que me responderia isto. Infelizmente o mundo está cheio de líderes que são mal aconselhados. Como Stallin, e Hittler. Se eles tivessem um bom conselheiro os Estados Unidos teriam mandados suas forças para auxiliar a Alemanha e Mussolini teria sido seu braço direito.

Infelizmente a igreja não sabe aconselhar os grandes líderes, só quer que população se foda e o dinheiro venha passear na sua mão, depois de passear pelo corpo de gostosas e piranhas de todas as etnias. A verdade é cruel, mas dá pra sobreviver. Você quer destruir a igreja? Milhões tentaram. Em vão. Principalmente por que eram uns bocados contra uns montes.

Ah, meu pai, ideias não mantem vidas!! Paz não mantém vidas! Como é que um idealista pode sobreviver além de suas idéias? É justamente a ponto em que quero chegar. Não é a idéia em si, mas o foco do ideal. Se ele se opõe a gente de palavra forte é como um grão de areia tentando entrar no cume de um vulcão ativo sem sair queimado. Ainda não entendeu, não é?

Se o povo, em peso, se voltasse contra os desmandos da igreja católica com seus casos de pedofilia , de destruição de lares, de contra-apoio a não prevenção de doenças preveníveis e outras coisas, não haveria mais este tpo de subordinação. A igreja é um lugar sagrado para se comungar com Deus e com sua santidade pessoal. E não para ser explorado e julgado sem mesmo saber se está certo quando está certo ou se erra quando está errado. Digo o mesmo para as igreja evangélicas. Posição de igreja não é contra, é a favor. Como diz em qualquer bíblia: Deus ama seu filho incondicionalmente. Não é a igreja que tem que dizer "você é viado, e aqui nesta igreja não entram viados". A igreja tem que dizer "não importa quais sejam os seus pecados, este é o lugar para se comungar da benção divina, seja você merecedor. Ou não". E quem diz se este é merecedor, ou não, não é o pastor, o padre ou o líder religioso, é o religioso que busca apoio religioso.

Quem melhor para julgar um erro do que a pessoa que o cometeu? (Exceto em raras ocasiões.) Entende senhor Ramos? Fugi do que queria de novo. Eu quero falar sobre meu vício por coisas quebradas e decartadas. Não, não saio por aí pegando mulher... O que tem a ver ver isto com coisas descartadas. Senhor Ramos, não se descarta uma pessoa. A não que esta seja de fato descartável, tal como um inimigo em batalha, um inimigo nos negócios, um bandido, etc... Mas não se descartam pessoas. Tá, crianças são descartáveis também, mas isto não vem ao caso. É uma tremenda falta de respeito com as vidas alheias, e com sentimentos alheios.

Adoraria descartar meu pai. Mas quem pagaria minhas contas?

Retornando ao que queria comentar. Coisas quebradas são alguma coisa para mim, por que de certo modo me sinto quebrado por dentro. E descartado. E de certo modo rejeitado. Poderia ter sido mais feliz se tivesse sido sequestrado e levado para qualquer canto do mundo.

Ainda tenho muitas fantasias com isto. Indiferentemente ao que eu estou fazendo neste momento, ou ao que poderia te feito. Ou ao que consegui até hoje. Teria sido muito, muito mais feliz. Agora tenho crises cada vez piores de "deveria ter feito isto quando era mais novo"...

Fico por aqui, chega de falar de mim. A bientôt.

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