quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Um conto de Natal

Naquele momento de festas, ele estava pronto para ser o melhor da turma. Nada mais era como antes. Natal não podia mais ser usado como desculpa para não se ter aulas. Ele apreciara esta novidade.
A cidade estava entre o zumbido normal de idas as compras. Já estava próxima a data final (21/12/2012). Enquanto algumas pessoas se preocupavam com isso outras rumavam aos shoppings da cidade em busca de presentes para seus amigos e parentes. Mas não ele. Ele retornara a sua casa ao final de uma massacrante aula de francês.
Adorava as línguas, especialmente quando se tratava do francês. Já não tinha a mesma capacidade que tinha quanto estava pronto a descobrir o mundo por seus próprios olhos. Marinaldo já não aguentava mais 4 horas seguidas de aula sem ficar morrendo de dor de cabeça. Isto o deixava irritado. Entretanto, não o irritava mais do que pegar um ônibus lotado de zumbis recém saídos das compras. Os mais perigosos tipos que se falar.
Poderia passar horas falando sobre cada tipo de zumbi. Dos medonhos aos que causam apenas um forte terror. Dos que matam com um olhar aos que acabam com você na mais pasmaceira lentidão, devorando seus órgãos como frutas adocicadas maduras. Marinaldo já não tinha medo dos zumbis.
Só que estes eram especiais. Eram uma variação muito pouco conhecida de um vírus misterioso dizimou a população. Apenas uma pequena variedade de pessoas que contraíram uma pequena alergia distromórfica conseguiu se livrar das complicações do vírus.
O alfatrans, como fora batizado ainda em seu projeto, desenvolvia forte e variadas complicações no corpo do hospedeiro. Dentre elas, as mais gritantes são: burrice aguda, retardo mental cíclico, destruição parcial dos tímpanos, histeria, múltipla personalidade, e disfunções digestivas (excesso de fome e refluxo), além de outras variações que incluem deformações faciais e ou estruturais.
Eles eram fáceis de se desvencilhar. Bastava fingir ser um deles. Mas a nova variedade era muito mais inteligente. Tinha um faro mais aguçado que o normal. Sentia cheiro de sangue dentro de qualquer vasilha hermeticamente fechada, mesmo que dentro de várias outras. Esta versão de zumbis era mais burra, e nem por isso menos letal. Capazes de conter uma cidade inteira e destruí-la sem que ninguém perceba a diferença. Marinaldo já se cansava fácil destes zumbis.
Eles permaneciam burros a ponto de criar e manter um engarrafamento por tanto tempo o quanto precisassem se alimentar... apesar de não haver mais alimento. Capazes de passar horas parados no mesmo lugar sem saber para onde ir. E, especialmente estes, permaneciam em bando o tempo todo, o que dificultava em muito matá-los sem ser caçado depois.
Mas, depois que estes novos se desenvolveram, as coisas se complicaram muito. Marinaldo passou a precisar se defender fugindo pelas ruas. O que complica ainda mais sua vida, já que os zumbis atacam qualquer coisa mais rápida que eles (o que incluía realmente muita coisa, de tartarugar a insetos, de pequenos roedores a grandes baleias) sem se importar com tamanho ou força. Por sorte, o vírus só passa por contato prolongado com vítimas e por vias fabricadas, tais como cortes e arranhões.
Marinaldo agora precisa lutar por sua vida dentro de um ônibus lotado de zumbis retornando sabe-se lá de onde para sabe-lá aonde. E por mais que pudesse fugir, teria que respeitar as suas experiências. Se correr vai ser pior, pois todos vão atrás. Se ficar vai ser péssimo, pois se a ansiedade de ser pego pelos infectados da nova variação não o matar, será morto por eles.
...
Fim do primeiro capítulo

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